terça-feira, agosto 28, 2007

Filipa Schlesinger, a menina do anúncio Fantasias de Natal



Acabava assim: “Não, não, o coelhinho vai com o Pai Natal e o palhaço no comboio ao circo.” Foi um dos anúncios televisivos mais icónicos de sempre, e quem o dizia era uma menina de seis anos que não era suposto estar ali. “Eu apareço para salvar a situação. O meu pai tinha escolhido uma menina e ela não conseguia dizer o texto. Em desespero ele pediu que me fossem buscar à escola. Fui levada para o décor no Dafundo – e não tive dificuldade nenhuma.”

O pai da menina chama-se João Rapazote e (ainda) realiza anúncios. A menina é hoje uma mulher de 34 anos e dá pelo nome de Filipa Schlesinger – está “um bocadinho menos loira”, mas ainda tem olhos azuis. “Quando nasci a minha mãe pensava que eu era albina”, conta, a rir. A frase foi repetida por todo o miúdo dos anos 80 dezenas de vezes – e o anúncio ainda é lembrado. Mas não foi caso único. “Fiz para aí uns dez anúncios”, lembra Filipa. “Só em 79 fiz três ou quatro filmes em que era o papel principal” – e todos eles memoráveis: “Fiz o Bombocas de Morango – mas aquilo é horroroso. Também fiz as Termas do Luso, e o da Alsa, com a Margarida Prieto.” E se quiserem saber o que ela pensa do anúncio que a celebrizou (Fantasias de Natal), aqui vai: “Também não gosto – mas o meu pai não gosta nada que eu diga isto.”

Graças ao anúncio tornou-se “uma das miúdas mais conhecidas dos anos 80 – não saía à rua sem ser reconhecida”. Por isso acabou com os anúncios “aos nove ou dez anos”, mas a mania do trabalho precoce ficou: trabalhou “desde sempre, todos os verões”. “Fui operadora de telemarketing, atendi às mesas, trabalhei em lojas, fui DJ, fui barwoman, fiz de tudo.” Aos 16 anos os pais deram-lhe a oportunidade de estudar em Inglaterra: “Fui três anos para um colégio especializado em teatro, e dediquei-me à produção. Fiz a universidade lá, em gestão e marketing.”

Passada uma semana de chegar a Portugal, foi para a empresa de publicidade Massa Cinzenta, de Pedro Paixão. Acabou na empresa do pai, Panorâmica 35, onde é directora de produção. Confessa que “trabalhar com familiares é sempre complicado”, mas agora trabalha “muito bem” com o pai. A única paixão que teve foi o teatro (Brecht é “o topo dos topos”) mas cá, “não havendo grande público que aprecie teatro, não vale a pena”. Não tem filhos, é vegetariana há quase 20 anos e odeia ir às compras. Diz ser “arrogante e muito rápida”. Famosas últimas palavras: “O meu hobby é ser feliz.”

Público
de hoje, P2, pág. 4

4 comentários:

Olavo Lüpia disse...

c'um caraças, ficou num canho...

LopesCa disse...

Gostei de ler tinha curiosidade :)

Mad disse...

Existem anuncios que ficam para sempre, tenho 34 anos e este é um dos anincios de que me irei recordar para sempre dado que ainda o o retrato "salvo seja canto" para o meu filho...Obrigado Paulo rebelo

Anónimo disse...

Depois de a ver hoje no programa a dar uma entrevista. olhei para ela e não gostei nada do que vi. Vi uma rapariga mesmo arrogante, como ela frisa e deve ser fria... Os olhos dela não enganam nada. Ela Parece ser dos paises nordicos...