terça-feira, junho 16, 2009
Televisão
Quem se queixa da televisão portuguesa é porque nunca viu a americana. Consigo detectar duas grandes tendências: 1 - A programação é feita para incontinentes. Dá para ir três vezes à casa de banho durante uma sitcom de 25 minutos. 2 - Os anúncios televisivos são monopolizados pelas farmacêuticas. Cada espaço publicitário mostra nos primeiros segundos as vantagens do fármaco, para logo a seguir gastar vários minutos a explicar as contra-indicações (explicadas por um senhor que inalou hélio). Os dois que apanhei até agora (um medicamento para as insónias e um anti-depressivo) acabavam com a frase "se experimentar tendências suicidas consulte de imediato o seu médico".
sábado, junho 13, 2009
Home hospitality
Eu e mais duas colegas jornalistas fomos jantar a casa de uma família tipicamente americana. Enfim, típica o suficente para dar as graças no início da refeição (maçaroca de milho incluída), para assumir que não votou Obama e que não gosta das suas políticas "socialistas". Perguntei-lhes a certa altura pelo sistema de saúde nacional e se tinham visto o "Sicko", do Michael Moore (esclarecendo, bem entendido, que estamos a par da agenda do senhor), onde, a dada altura, um cidadão americano se viu obrigado a optar entre o reimplante de um dedo anelar ou de um dedo médio - depois de um acidente de trabalho - porque não tinha dinheiro para os dois. Ele respondeu-me isto (sic): "Well, you know, if you look at the two Koreas from the sky, at night, you can't see any lights in the northern part of the paeninsula and there are a lot of lights in the southern part".
Fiquei sem saber o que é que ele quis dizer com isto. Se era uma metáfora, eu não apanhei.
Outra coisa que me intrigou foi um livro ostensivamente colocado na mesa da cozinha que tinha por título "Blind Spot - When Journalists Don't Get Religion".
Tirando estas coisinhas estranhas foram muito simpáticos e ainda conhecemos a filha de ambos, de 25 anos, que vai fazer um programa de voluntariado social em Chicago, durante um ano, para o qual está a angariar 12 mil dólares entre família e amigos, o que não deixa de ser meritório e pouco comum para os padrões europeus.
Fiquei sem saber o que é que ele quis dizer com isto. Se era uma metáfora, eu não apanhei.
Outra coisa que me intrigou foi um livro ostensivamente colocado na mesa da cozinha que tinha por título "Blind Spot - When Journalists Don't Get Religion".
Tirando estas coisinhas estranhas foram muito simpáticos e ainda conhecemos a filha de ambos, de 25 anos, que vai fazer um programa de voluntariado social em Chicago, durante um ano, para o qual está a angariar 12 mil dólares entre família e amigos, o que não deixa de ser meritório e pouco comum para os padrões europeus.
quinta-feira, junho 11, 2009
O mais próximo que chegarei da Administração americana...
quarta-feira, junho 10, 2009
Basebol
Hoje fui ao meu primeiro (e, arriscaria dizer, ao meu último) jogo de basebol. Washington Nationals vs Cincinnati Reds (uma espécie de Paços de Ferreira x Trofense). Em resumo: já tenho visto jogos de matraquilhos mais animados. Mas a experiência sociológica já ninguém ma tira. Nem o cachorro quente. Deixo-vos algumas fotos.


terça-feira, junho 09, 2009
In the USA
A viagem para os States começa a ser divertida logo no avião, quando percebemos o filão de home-appliances-american-style compiladas numa revista chamada SkyMall (vejam o site, vale a pena), que põe qualquer catálogo daqueles com massajadores faciais a um canto. Desde escadotes de plástico para os cães poderem subir para a cama dos donos até bóias de piscina com motor e suporte para copos, há toda uma miríade (bonita palavra) de objectos que, à primeira são ridículos, à segunda parecem começar a fazer sentido e à terceira nos fazem querer tê-los desesperadamente.
Aterrados em segurança em Washington, as experiências culturais continuam num seven-eleven, quando decido adquirir um dos artigos mais saudáveis do perímetro: um strawberry cheese muffin com a média mensal de calorias consumidas por uma família etíope. É o meu pequeno-almoço. Viva a América.
Depois de uma institucional visita ao Congresso, o dia acabou com dez pessoas metidas numa pickup com lotação para sete em direcção a um parque chamado Merriweather para ver um glorioso concerto ao ar livre de Andrew Bird numas longínquas imediações a norte de Washington. E perguntam vocês: mas os americanos são tão rigorosos com a segurança, como é possível que tenham feito 250 quilómetros todos amassados e sem cinto de segurança? Eu respondo: o condutor era arménio e enquanto nos transportava ia a ver um filme (true!) e a mandar sms.
Aterrados em segurança em Washington, as experiências culturais continuam num seven-eleven, quando decido adquirir um dos artigos mais saudáveis do perímetro: um strawberry cheese muffin com a média mensal de calorias consumidas por uma família etíope. É o meu pequeno-almoço. Viva a América.
Depois de uma institucional visita ao Congresso, o dia acabou com dez pessoas metidas numa pickup com lotação para sete em direcção a um parque chamado Merriweather para ver um glorioso concerto ao ar livre de Andrew Bird numas longínquas imediações a norte de Washington. E perguntam vocês: mas os americanos são tão rigorosos com a segurança, como é possível que tenham feito 250 quilómetros todos amassados e sem cinto de segurança? Eu respondo: o condutor era arménio e enquanto nos transportava ia a ver um filme (true!) e a mandar sms.
sábado, junho 06, 2009
Stay Tuned...
Tal como os camaradas do Vai Tudo Abaixo, a autora deste tasco muda-se por três semanas para os US of A. Mais concretamente para Washington. Se quiserem novidades, vão aparecendo por aqui. Ti jei.
sábado, maio 30, 2009
segunda-feira, maio 25, 2009
quarta-feira, maio 13, 2009
Quão rentável nos poderá sair uma piada?
Em breve irei aos States. Assim sendo, estou a preencher um formulário que, entre outras coisas, me obriga a responder com um "sim" ou "não" a perguntas como "Tem problemas com drogas?", "Já alguma vez traficou estupefacientes?" e "Alguma vez esteve envolvido em actos criminosos e imorais?" [ter usado saias de balão e ouvido Onda Choque não conta]...
Mas a minha favorita é esta: Have you ever been or are you now involved in espionage or sabotage; or in terrorist activities; or genocide; or between 1933 and 1945 were you involved , in any way, in persecutions associated with Nazi Germany or its allies?
Quem acha que eu devo responder "sim" que dê início ao leilão. Vendo-me à mais alta licitação, com direito a vídeo na alfândega.
Mas a minha favorita é esta: Have you ever been or are you now involved in espionage or sabotage; or in terrorist activities; or genocide; or between 1933 and 1945 were you involved , in any way, in persecutions associated with Nazi Germany or its allies?
Quem acha que eu devo responder "sim" que dê início ao leilão. Vendo-me à mais alta licitação, com direito a vídeo na alfândega.
É com algum embaraço que o admito...
... mas ontem vi a primeira semifinal do Festival da Eurovisão.
E gostei da canção portuguesa.
Foi uma alegre-refrescadela-toda-em-Português-sem-refrões-em-Inglês-para-armar-ao-pingarelho no meio daquele festim de Shakiras postiças e eunucos de calças brancas.
E gostei da canção portuguesa.
Foi uma alegre-refrescadela-toda-em-Português-sem-refrões-em-Inglês-para-armar-ao-pingarelho no meio daquele festim de Shakiras postiças e eunucos de calças brancas.
segunda-feira, maio 11, 2009
domingo, maio 10, 2009
sexta-feira, maio 08, 2009
sábado, março 28, 2009
sexta-feira, março 20, 2009
quinta-feira, março 19, 2009
terça-feira, março 17, 2009
sexta-feira, março 13, 2009
quarta-feira, março 11, 2009
"O dobro da 'parteleira', o dobro da classe"
Dava-me imenso jeito receber cinco mil euros por mês. É pena ser filha única.
quinta-feira, março 05, 2009
terça-feira, março 03, 2009
segunda-feira, março 02, 2009
Join or die

Contra mim falo, mas as redes sociais angustiam-me. Se não tenho nada a dizer no Twitter, será porque sou pobre de espírito? Se tenho menos de cem passaradas a seguirem-me, será porque não sou popular? Se não visito o Facebook com frequência, será porque não tenho vida social? Se as pessoas não me recomendam no LinkedIn, será porque não tenho interesse profissional nem pessoal? Se não escrevo três posts por causa do quadro do Gustave Courbet e dez sobre o congresso do PS, será porque não tenho poder de análise?
E se eu não tiver nada de nada a dizer, nem em 140 caracteres nem em menos? E se eu finalmente disser alguma coisa, no meio da floresta, onde ninguém me pode ver nem ouvir, será que produzo barulho ao articular a frase?
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
terça-feira, fevereiro 24, 2009
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
Ainda o "Slumdog Millionaire"
Deixo abaixo uma lista de frases soltas da autoria dos críticos do Público (inseridas num texto de apostas para os Óscares), para que as julguem vocês mesmos:
1 - Danny Boyle, porque o "hype" de "Quem quer ser Bilionário?" é capaz de o fazer passar por "cineasta", Vasco Câmara
2 - "Milk", porque é o único Filme (assim mesmo, em maiúscula) dos cinco nomeados, Vasco Câmara
3 - ...é um cineasta [falando de David Fincher], não é um Danny Boyle..., Luís Miguel Oliveira
4 - Resumindo: porque Van Sant é um grande cineasta (como colocar Boyle neste campeonato?), Vasco Câmara
Se o Slumdog e o Boyle fizerem a dobradinha na madrugada dos Óscares, juro que visto um sari e como uma chamuça. Depois mostro-vos a foto.
1 - Danny Boyle, porque o "hype" de "Quem quer ser Bilionário?" é capaz de o fazer passar por "cineasta", Vasco Câmara
2 - "Milk", porque é o único Filme (assim mesmo, em maiúscula) dos cinco nomeados, Vasco Câmara
3 - ...é um cineasta [falando de David Fincher], não é um Danny Boyle..., Luís Miguel Oliveira
4 - Resumindo: porque Van Sant é um grande cineasta (como colocar Boyle neste campeonato?), Vasco Câmara
Se o Slumdog e o Boyle fizerem a dobradinha na madrugada dos Óscares, juro que visto um sari e como uma chamuça. Depois mostro-vos a foto.
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
O melhor contraceptivo para os adolescentes...
... é esta fotografia:


Alfie Patten (13 anos), Chantelle (15) e a filha de ambos, Maisie. Ler mais aqui.
Dia dos Namorados
Bom, se me dessem a escolher entre isto e uma mini-retroescavadora, eu ficava com isto.
"Slumdog Millionaire"
Constatado o ódio generalizado dos críticos de cinema em Portugal pelo filme "Slumdog Millionaire" - que já vi e do qual gostei muito - estive a ponto de "malhar" na oratória dos cinéfilos, mas depois li este post do Bruno Nogueira e achei que ele diz o que é preciso.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
terça-feira, fevereiro 03, 2009
Agenda conimbricense
Cordão humano de protesto contra a construção de um viaduto sobre a Mata do Choupal: dia 15, domingo, às 11h00.
Se gostam de inalar alcatrão e combustíveis enquanto correm, esqueçam.
Se gostam de inalar alcatrão e combustíveis enquanto correm, esqueçam.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Coisas bizarras, mas verdadeiras
- Fui falar com um "homem-bala" ao circo. Não estava. Tinha ido ao "shopping".
- Fui a uma sapataria. Uma senhora sacou da tesoura e começou a cortar as unhas dos pés.
- Fui a uma sapataria. Uma senhora sacou da tesoura e começou a cortar as unhas dos pés.
terça-feira, janeiro 27, 2009
O que está a matar a economia não é a crise, são as redes sociais
Entre o Twitter, o Facebook, o (nada moderno) mail, o Linkedin, o Youtube, o Myspace, o Google Reader (mais de 1000 em espera) e os posts no Blogger... quando é que é suposto que trabalhemos?
sábado, janeiro 17, 2009
Ranking
Primeiro temos o filme português “Pesadelo Cor-de-Rosa”. Abaixo temos o “Corrupção”. A seguir vêm os vídeos das nossas primas mais velhas que se casaram na década de 80. Depois os vídeos que nós fazíamos para a disciplina de Área Escola (uma das maravilhas criadas pela “nova reforma”) durante o liceu; abaixo disso vêm os vídeos/instalação de jovens artistas que filmam - durante sete horas e num único plano - um ténis e uma alcaparra... e depois, no fim da tabela, no sítio onde deve figurar o pior filme português de todos os tempos, está “Contrato”, a estreia de Nicolau Breyner na realização. (nem as mamocas da Cláudia Vieira safam aquilo, rapazes... lamento)
quinta-feira, janeiro 08, 2009
terça-feira, janeiro 06, 2009
domingo, janeiro 04, 2009
quinta-feira, dezembro 25, 2008
terça-feira, dezembro 23, 2008
sábado, dezembro 13, 2008
quinta-feira, dezembro 11, 2008
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Ou muito me engano...
... ou a segunda parte do sketch do "Chato", n'Os Contemporâneos, que acabaram de acabar - passe a redundância - vai dar polémica (para quem não viu, já está aqui). Ou se calhar não. O Portugal de hoje já não é o Portugal que se escandalizou com o sketch da "Última Ceia", no Herman Zap... Vamos esperar para ver o que acontece.
Isto promete
Junte-se o Bill Maher com a vontade de fazer um documentário sobre religião e o resultado só podia ser este: Religulous.
sábado, novembro 29, 2008
quinta-feira, novembro 27, 2008
terça-feira, novembro 25, 2008
Timor: o estado da nação
1. Timor não é um Estado falhado. É pior. Falhou o projecto nacional idealizado há uma década
Em nove anos de liberdade, Timor-Leste não conseguiu assegurar água, luz e esgotos para a sua pequena capital. Baucau, a segunda "cidade", é uma versão apenas ajardinada da favela que é Díli, graças à gestão autárquica (oficiosa) do bispado. O resto, nos "distritos", é um país de cordilheiras que vive o neolítico como quotidiano, longe do mínimo humano aceitável. Chega-se lá pelas estradas e picadas deixadas pelos "indonésios". Há estradas principais onde não entrou uma picareta desde 1999. O bem público e as necessidades do povo são ignorados há nove anos com um desprezo obsceno. O melhor exemplo é a companhia de electricidade: durante cinco anos, a central de Díli não teve manutenção de nenhum dos 14 geradores - todos oferecidos -, até que a última máquina de grande potência resfolegou. O Hospital Nacional Guido Valadares, onde se inaugura esta semana instalações rutilantes, não teve até hoje um ecógrafo decente nem ventiladores nos Cuidados Intensivos. Não há um TAC no país (embora custe o mesmo que dois dos novos carros dos deputados); a menina timorense com que Portugal se comove teve o tumor diagnosticado pelo acaso de um navio-hospital americano que lançou âncora em Díli. A taxa de mortalidade infantil é apenas superada a nível mundial pelo Afeganistão. A mortalidade pós-parto é assustadora. Entretanto, cada mulher timorense em idade fértil tem em média 7,6 filhos. Circulam entre diplomatas e humanitários os "transparentes" de um relatório do Banco Mundial que conclui que "a pobreza aumentou significativamente" entre 2001 e 2007 (um balanço arrasador do consulado Fretilin, porque o estudo usa indicadores até 2006). Cerca de metade dos timorenses vive com menos de 60 cêntimos de euro por dia e, desses, metade são crianças. Timor é um país rico atolado na indigência, onde os líderes se insultam por causa de orçamentos que ninguém tem sequer unhas para gastar.
(excerto de um testemunho do jornalista Pedro Rosa Mendes no Público de hoje. Leiam tudo aqui)
Em nove anos de liberdade, Timor-Leste não conseguiu assegurar água, luz e esgotos para a sua pequena capital. Baucau, a segunda "cidade", é uma versão apenas ajardinada da favela que é Díli, graças à gestão autárquica (oficiosa) do bispado. O resto, nos "distritos", é um país de cordilheiras que vive o neolítico como quotidiano, longe do mínimo humano aceitável. Chega-se lá pelas estradas e picadas deixadas pelos "indonésios". Há estradas principais onde não entrou uma picareta desde 1999. O bem público e as necessidades do povo são ignorados há nove anos com um desprezo obsceno. O melhor exemplo é a companhia de electricidade: durante cinco anos, a central de Díli não teve manutenção de nenhum dos 14 geradores - todos oferecidos -, até que a última máquina de grande potência resfolegou. O Hospital Nacional Guido Valadares, onde se inaugura esta semana instalações rutilantes, não teve até hoje um ecógrafo decente nem ventiladores nos Cuidados Intensivos. Não há um TAC no país (embora custe o mesmo que dois dos novos carros dos deputados); a menina timorense com que Portugal se comove teve o tumor diagnosticado pelo acaso de um navio-hospital americano que lançou âncora em Díli. A taxa de mortalidade infantil é apenas superada a nível mundial pelo Afeganistão. A mortalidade pós-parto é assustadora. Entretanto, cada mulher timorense em idade fértil tem em média 7,6 filhos. Circulam entre diplomatas e humanitários os "transparentes" de um relatório do Banco Mundial que conclui que "a pobreza aumentou significativamente" entre 2001 e 2007 (um balanço arrasador do consulado Fretilin, porque o estudo usa indicadores até 2006). Cerca de metade dos timorenses vive com menos de 60 cêntimos de euro por dia e, desses, metade são crianças. Timor é um país rico atolado na indigência, onde os líderes se insultam por causa de orçamentos que ninguém tem sequer unhas para gastar.
(excerto de um testemunho do jornalista Pedro Rosa Mendes no Público de hoje. Leiam tudo aqui)
segunda-feira, novembro 17, 2008
Sobre os portugueses no estrangeiro
Ah, os portugueses no estrangeiro, essa odisseia. Ponha-se dois homens oriundos da mesma terra beirã a partilhar vizinhança em Lisboa e a única coisa que se lhes conseguirá arrancar da garganta durante anos a fio é um “bom dia” ladrado à queima-roupa, com maus modos e contrariedade.
Mas ponha-se um portista gelatinoso e bairrista e um lisboeta frequentador do Lux e da Cinemateca num mesmo resort turístico no estrangeiro e eles tornam-se instantaneamente amigos. Parece magia. No estrangeiro, os portugueses atraem-se como magnetos com o cio. Toda a gente quer dizer de onde veio, para onde vai e quais os efeitos da gastronomia local nas respectivas tripas. Em destinos tropicais “tudo incluído” o “Macaco” seria amigo do “Barbas”, o Vasco Pulido Valente leria a obra completa do Miguel Sousa Tavares enquanto lhe afagava a nuca e o capuchinho vermelho e o lobo mau abririam em parceria um lar de geriatria. Nos resorts os portugueses são todos comparsas, filhos do Rectângulo, descendentes directos do Henriques, o conquistador.
Sucede que estive durante a semana passada num desses resorts. Logo no avião vinham ataviadas duas moças que passo a descrever: bota branca de cano alto (com salto agulha metalizado e pedraria incrustada, pois claro), microsaias, tops de cetim, extensões no cabelo, piercings à descrição, decotes generosos, tatuagens à vontade e, meus amigos, uma manicure francesa que faria a Florence Griffith-Joyner parecer uma mulher-a-dias com unhas ratadas.
[Já agora, num aparte, existe para estas pessoas um nome “marca-produto” que não fui eu que inventei e que, admito, pode até ser ligeiramente cruel, mas que é suficientemente acertado - e, vá, divertido – para podermos aqui prescindir dele: estas moças eram umas “super badalhocas”. SB’s, para os amigos. E para que não se diga que isto é coisa de machistas pudicos e mulheres enjeitadas, esclareça-se que o termo também existe no masculino. São os SB’s. Bom, mas dizíamos então que chegam as SB’s carregadas de malas ao resort.]
Nessa noite, pedindo nós a misericordiosa caipirinha de arranque das festividades, abeiram-se três jovens do balcão, batem com o punho no estaminé e gritam ao barman, em voz alta e galhofeira, que “a seguir a estas duas caipirinhas dê-lhes mais duas que pagamos nós”. Nós rimo-nos mas fugimos antes que se nos pudessem ancorar ao pescoço e começar a tratar por colegas. Mas isso somos nós, que tivemos cagufa e vergonha. Perdemos um serão divertido, seguramente, mas conservámos balanço e intestinos. Às vezes a vida é feita destes dilemas que de certeza já atormentariam Platão na Antiguidade grega se nessa altura houvesse resorts.
Bom, mas o que importa aqui reter é que no dia seguinte de manhã já as duas SB’s se deitavam nas mesmas espreguiçadeiras dos três mancebos, em arriscadas construções em altura; já os jovens casais se metiam com os desacasalados e já as tias do bronze confraternizavam com patriotas, um dos quais cometeu a façanha de levar para uma ex-colónia uma t-shirt em que se lia “Ex-combatentes da Guiné – regimento de artilharia”.
Mas ponha-se um portista gelatinoso e bairrista e um lisboeta frequentador do Lux e da Cinemateca num mesmo resort turístico no estrangeiro e eles tornam-se instantaneamente amigos. Parece magia. No estrangeiro, os portugueses atraem-se como magnetos com o cio. Toda a gente quer dizer de onde veio, para onde vai e quais os efeitos da gastronomia local nas respectivas tripas. Em destinos tropicais “tudo incluído” o “Macaco” seria amigo do “Barbas”, o Vasco Pulido Valente leria a obra completa do Miguel Sousa Tavares enquanto lhe afagava a nuca e o capuchinho vermelho e o lobo mau abririam em parceria um lar de geriatria. Nos resorts os portugueses são todos comparsas, filhos do Rectângulo, descendentes directos do Henriques, o conquistador.
Sucede que estive durante a semana passada num desses resorts. Logo no avião vinham ataviadas duas moças que passo a descrever: bota branca de cano alto (com salto agulha metalizado e pedraria incrustada, pois claro), microsaias, tops de cetim, extensões no cabelo, piercings à descrição, decotes generosos, tatuagens à vontade e, meus amigos, uma manicure francesa que faria a Florence Griffith-Joyner parecer uma mulher-a-dias com unhas ratadas.
[Já agora, num aparte, existe para estas pessoas um nome “marca-produto” que não fui eu que inventei e que, admito, pode até ser ligeiramente cruel, mas que é suficientemente acertado - e, vá, divertido – para podermos aqui prescindir dele: estas moças eram umas “super badalhocas”. SB’s, para os amigos. E para que não se diga que isto é coisa de machistas pudicos e mulheres enjeitadas, esclareça-se que o termo também existe no masculino. São os SB’s. Bom, mas dizíamos então que chegam as SB’s carregadas de malas ao resort.]
Nessa noite, pedindo nós a misericordiosa caipirinha de arranque das festividades, abeiram-se três jovens do balcão, batem com o punho no estaminé e gritam ao barman, em voz alta e galhofeira, que “a seguir a estas duas caipirinhas dê-lhes mais duas que pagamos nós”. Nós rimo-nos mas fugimos antes que se nos pudessem ancorar ao pescoço e começar a tratar por colegas. Mas isso somos nós, que tivemos cagufa e vergonha. Perdemos um serão divertido, seguramente, mas conservámos balanço e intestinos. Às vezes a vida é feita destes dilemas que de certeza já atormentariam Platão na Antiguidade grega se nessa altura houvesse resorts.
Bom, mas o que importa aqui reter é que no dia seguinte de manhã já as duas SB’s se deitavam nas mesmas espreguiçadeiras dos três mancebos, em arriscadas construções em altura; já os jovens casais se metiam com os desacasalados e já as tias do bronze confraternizavam com patriotas, um dos quais cometeu a façanha de levar para uma ex-colónia uma t-shirt em que se lia “Ex-combatentes da Guiné – regimento de artilharia”.
sexta-feira, novembro 07, 2008
Afinal ainda aqui vim outra vez
Afinal ainda aqui vim
Baixa de Coimbra. 18h00. Quiosque cheio de gente a querer entregar o Euromilhões. Entra um casal.
Ele grita: "Ai valha-me Nossa Senhora dos Grelos!"
Ela: bigode, crânio achatado e incisivos em V
A senhora do quiosque: Ah! Olha esta, tem uma carinha tão engraçada...
Ele grita: "Ai valha-me Nossa Senhora dos Grelos!"
Ela: bigode, crânio achatado e incisivos em V
A senhora do quiosque: Ah! Olha esta, tem uma carinha tão engraçada...
Cenas, coiso e tal e até já
Agora que o mundo está mais tranquilo [graças aos cordelinhos puxados por esta vossa escriba, que decidiu as eleições nos EUA fazendo apenas alguns telefonemas... ora essa, não têm nada que agradecer... afinal de contas a Sarah Palin cavou a própria cova e empurrou o McCain para o buraco... Tecnicamente até um afro-americano com nome de muçulmano ganhava a esta dupla...] posso finalmente descansar. Vou de férias. Para Cabo Verde. Se encontrar por lá um Barack Obama, importo-o a tempo das legislativas, a ver se nos voltamos a entusiasmar com isto da política.
quarta-feira, outubro 29, 2008
segunda-feira, outubro 27, 2008
Já agora...
... a fotografia do novo cabeçalho foi tirada pelo meu pai no dia 11 de Fevereiro de 1983, também conhecido como "o dia em que nevou em Coimbra". Foi a primeira e a última vez, para a minha geração.
Muda-se o tempo, muda-se o blog
Temos novo template, agora que já chove, faz frio e anoitece às seis.
terça-feira, outubro 21, 2008
segunda-feira, outubro 20, 2008
O ET de Arganil
Paulo Santos, um estucador de 32 anos, explica como foi inseminado artificialmente por extraterrestres e como a Virgem Maria afinal era só Maria. Atentem à sonoplastia e aos efeitos especiais.
domingo, outubro 19, 2008
quarta-feira, outubro 15, 2008
terça-feira, outubro 14, 2008
segunda-feira, outubro 13, 2008
Ainda a propósito do casamento entre pessoas do mesmo sexo...
Recomendo a leitura deste post. Hilariante.
domingo, outubro 12, 2008
Porque as férias dos nossos amigos...
... não precisam de ser um calvário de 3000 fotografias e vídeos.
Estas foram as férias marroquinas de uma amiga minha, a britânica Alex, condensadas em pouco mais de um minuto. É um exercício de "voyeurismo"? É. Mas não faz mal.
Estas foram as férias marroquinas de uma amiga minha, a britânica Alex, condensadas em pouco mais de um minuto. É um exercício de "voyeurismo"? É. Mas não faz mal.
quinta-feira, outubro 09, 2008
Queria agradecer aos departamentos de atendimento telefónico da Zon e da Rede Expressos
Agora já sei o que é uma úlcera.
Más notícias
Não foi desta que a Carolina Salgado viu a sua obra literária reconhecida pelo Comité Nobel, mas estou muito esperançada para amanhã, quando anunciarem o da Paz.
segunda-feira, outubro 06, 2008
sábado, outubro 04, 2008
sexta-feira, outubro 03, 2008
Dilemas
Aos 31 anos enfrento um dos maiores dilemas da minha vida, se excluirmos aquela vez em que tive de optar, aos 10 anos, entre um fato de treino azul escuro, muito digno, algodão de primeira, da Adidas, e outro da Nike, lilás e verde água, lindo de morrer.
Inscrevo-me no Facebook ou no LinkedIn?
Inscrevo-me no Facebook ou no LinkedIn?
quinta-feira, setembro 25, 2008
Ideias que podem mudar o mundo
A Google anunciou ontem um concurso com um prémio de 10 milhões de dólares para recompensar os projectos que melhorem a vida das pessoas, por ocasião dos 10 anos do gigante da Internet.
Mais informações aqui.
Mais informações aqui.
Os Contemporâneos
Hoje há novo episódio d'Os Contemporâneos. Se não viram o último, podem ver aqui. Vale mesmo a pena. A sério.
Fica uma amostra, para abrir o apetite:
Programa da Lucy (original)
Programa da Lucy (versão Os Contemporâneos)
Fica uma amostra, para abrir o apetite:
Programa da Lucy (original)
Programa da Lucy (versão Os Contemporâneos)
terça-feira, setembro 23, 2008
Perguntas para os concorrentes do "Momento da Verdade"
só para o caso da equipa da Teresa Guilherme ficar sem ideias para mais logo:
- Já alguma vez tirou macacos do nariz e os deu a comer ao seu cão?
- Alguma vez deu por si a abanar as ancas ao som do refrão "Não tenho nada, mas tenho tenho tudo/Sou rica em sonhos e pobre pobre em ouro"?
- Alguma vez desejou que a sua mulher fizesse quimioterapia porque odeia o seu cabelo?
- Chorou ao ouvir o CD de homenagem ao Jorge Perestrelo (as minhas desculpas ao Gabriel Alves, que está bem vivo)?
- Alguma vez teve um sonho erótico com o Petit?
- Quantas vezes é que já apanhou beatas do chão e as fumou?
- Já alguma vez imitou o George Clooney ao espelho?
- Quantas vezes é que já calçou os sapatos de salto alto da sua mulher enquanto via o "Tootsie"?
- Já alguma vez tirou macacos do nariz e os deu a comer ao seu cão?
- Alguma vez deu por si a abanar as ancas ao som do refrão "Não tenho nada, mas tenho tenho tudo/Sou rica em sonhos e pobre pobre em ouro"?
- Alguma vez desejou que a sua mulher fizesse quimioterapia porque odeia o seu cabelo?
- Chorou ao ouvir o CD de homenagem ao Jorge Perestrelo (as minhas desculpas ao Gabriel Alves, que está bem vivo)?
- Alguma vez teve um sonho erótico com o Petit?
- Quantas vezes é que já apanhou beatas do chão e as fumou?
- Já alguma vez imitou o George Clooney ao espelho?
- Quantas vezes é que já calçou os sapatos de salto alto da sua mulher enquanto via o "Tootsie"?
domingo, setembro 21, 2008
terça-feira, setembro 16, 2008
"Por esse dinheiro, até aviava dois"....
... acaba de admitir um concorrente do programa "Momento da Verdade", à pergunta: "Seria capaz de ter relações homossexuais por 250 mil euros?".
José Castelo Branco já terá ligado para a produção do programa perguntando o nome do concorrente, a fim de poder endossar o cheque ao portador.
José Castelo Branco já terá ligado para a produção do programa perguntando o nome do concorrente, a fim de poder endossar o cheque ao portador.
segunda-feira, setembro 15, 2008
domingo, setembro 07, 2008
Claudia Fux
A primeira edição da Miss Trouxemil (que decorreu ontem à noite na Adémia) foi um sucesso. Todas as cinco candidatas levaram prémio para casa. A primeira ganhou um jantar no Calado&Calado (na baixa de Coimbra), um fato de banho e uma ida ao cabeleireiro; e a última uma refeição na churrasqueira da Pedrulha. Mas do que nós mais gostámos foi da atracção musical. Segue uma amostra abaixo. Obrigada ao tcravidao por nos ter levado lá.
Já agora, a Miss Trouxemil 2008 foi esta menina:
Já agora, a Miss Trouxemil 2008 foi esta menina:
sexta-feira, setembro 05, 2008
sexta-feira, agosto 29, 2008
O ciclo de vida dos paninhos amarelos
Tenho uma vizinha da frente que é idosa. Ela não é idosa, ela é velha, que é como chamamos às pessoas que são idosas quando não temos que disfarçar a piedade ou o socialmente inadequado. Ela é velha e estende farrapos. Daqueles amarelos que se compram no Continente para limpar o lava-loiças e que nós, os que não somos velhos, não lavamos nem reutilizamos. Deitamos fora. E depois vamos ao Continente. Estacionamos, metemos os 50 cêntimos no carrinho, que anda sempre de lado e é pesado, o estupor, serpenteamos pelos corredores, avançamos e recuamos, porque há uma eterna discordância entre aquilo que nós procuramos e o sítio onde os "senhores do Continente" decidiram arrumar as coisas - quem diria que faz muito mais sentido os paninhos amarelos estarem ao lado dos sacos do lixo -, mostramos o cartão do desconto, pagamos, recolhemos o "vale cinco cêntimos por litro" e voltamos para casa, usando os nossos músculos de 30 anos e o nosso suor daquele minuto. O ciclo de vida dos meus paninhos amarelos é curto. Mas a minha vizinha, dia após dia, à altura da minha vista e à vista do meu fim de prazo, todos temos um, arrasta-lhes a vida. Mais buracos do que pano e ela a pôr e a tirar molas. Chegam molhados, recolhe-os secos. Como um relógio. Às oito da manhã. Levanta-se, acende a luz da marquise, apalpa-os, dobra-os e arruma-os. Tudo num ritmo tão arrastado que já não sei se é dela ou se é a minha vista que narra a cena ao meu cérebro em câmara lenta. Nunca a vi estender mais nada. Só aquela colecção épica de frankensteins que eram panos. Podia dizer que a velha é doida, mas a verdade é que aquela senhora idosa me comove.
segunda-feira, agosto 25, 2008
sábado, agosto 23, 2008
sexta-feira, agosto 22, 2008
Bad hair day
Como tenho um cabelo rebelde e volumoso (let’s just say que se algum dia o ripar poderei esconder uma cama de casal na gadelha), decidi comprar o amaciador Black&Beautiful, feito de manteiga de cacau, adequado para “mulheres de raça”, de acordo com o rótulo. É para alisar afros, vá.
Em resultado tenho o cabelo muito mais macio, mas não sei se o look Zé Manel Taxista era aquilo que eu tinha em mente.
Em resultado tenho o cabelo muito mais macio, mas não sei se o look Zé Manel Taxista era aquilo que eu tinha em mente.
terça-feira, agosto 12, 2008
domingo, agosto 10, 2008
Sou só eu que acho...
... que a melhor maneira de a China fazer as pazes com o Tibete era fazer sair o Dalai Lama de um bolo gigante, durante a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos?
Dúvida
Será que os "tuners", quando morrem, também gostavam de ser enterrados em caixões modificados?
quinta-feira, agosto 07, 2008
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